Uma dia acordo e... surpresa! tudo branco ao meu redor. O primeiro dia de neve de cada inverno é sempre tocante. Apesar do frio glacial, a fofura do tapete que cobre ruas, calçadas e quintais é aconchegante. Os flocos de neve que se equilibram nos galhos das árvore, pura magia.
Após 8 anos volto a passar um inverno na Áustria e o Natal aqui sempre me parece bem diferente do Brasil. O clima nos influencia em cada poro, pensamento, ato. Enquanto no hemisfério sul o calor do verão torna as festas de fim de ano um evento expansivo, o sentimento neste lado do planeta é de introspecção.
Uma antiga tradição que se mantém na Áustria, Suíça e parte da Alemanha é que quem traz presentes às crianças é Christkind, o Jesus menino. Ao contrário da figura comercial de Papai Noel, o Christkind é representado por uma criança de cachos dourados, asas e auréola. Aliás ele só aparece para as que se comportaram durante o ano. As levadas têm de encara o Krampus, uma criatura com cara de demônio, que vive no lado leste dos Alpes europeu.
Devo ter me comportado bem em 2010, pois nenhum Krampus veio me beliscar. E o presente do Christkind? Passear outra vez num parque coberto de neve, de mãos dadas com meu marido, sentindo na sola dos sapatos o barulho shshnhec- shshnhec dos flocos brancos, que se comprimem e se juntam a cada passo.
