17 de set de 2017

Quem é vivo, de vez em quando aparece


      Nossa... há bastante tempo não escrevo por aqui...
Como sei que muitos leitores procuram o Blog para saber como estou, deixe dar uma recapitulada.


     Como já contei em outro post,  há alguns anos venho me dedicando à prática de meditação. E tanto me empolguei que me tornei instrutora de Mindfulness e agora estou cursando uma Especialização em Mindfulness na UNIFESP. Desde 2016 trabalho como voluntária no Centro Mente Aberta -UNIFESP que oferece gratuitamente Programas de Mindfulness para os usuários do SUS. Sou uma das integrantes da equipe de Mindfulness e Educação e estamos criando um protocolo para professores. Mas vamos por partes...


O primeiro grupo a gente nunca esquece


Voluntários do GIV, na sede da ONG na Vila Mariana

      O primeiro grupo que facilitei, foi em 2016 no GIV – Grupo de Incentivo à Vida uma ONG que defende os direitos das pessoas vivendo com HIV/AIDS. Minha história com o GIV é antiga. Foi essa ONG que me acolheu, há muitos anos, quando procurei apoio e um lugar para conhecer outras pessoas na mesma situação. Alguns amigos que fiz nessa época estão no céu, outros estão por aí, pela vida e alguns reencontrei nesse curso. Por isso também, ele foi tão especial. A outra metade do grupo foi de jovens, gente nova, voluntários, ativistas que estão dando continuidade
a esse trabalho tão importante.


Mindfulness para Educação


     Em junho no Mente Aberta, tivemos dois programas estrangeiros de Mindfulness para professores da rede pública com a parceria da Diretoria Regional de Ensino de Sto. Amaro: 
       – O  Programa espanhol TREVA ­– Técnicas de Relajación VivencialAplicadas al Auladesenvolvido pelo Dr. Luiz Lopez-Gonzalez da Universidade de Barcelona.
       – E o americano CARE, do Instituto Garrison de Nova York e ministrado por uma das idealizadoras, a  Prof.  Dr. Tish Jenningns,   autora do livro, “Mindfulness for Teachers”. 


Programa CARE com a Prof. Dr. Tish Jenningns








Programa Treva com o Prof. Dr. Jose Miguel Txemi





    Agora a Equipe do Mente Aberta Educação está desenvolvendo, com base na realidade brasileira, o Programa de Promoção da Saúde Baseado em Mindfulness para Professores – MBHP-educa.  Em junho fomos a São João Del Rei – MG, para aplicar o primeiro piloto do projeto. E ainda nesse semestre estaremos aplicando a nova versão em São Paulo e Minas Gerais. É muito bom trabalhar com pessoas tão legais! E num projeto em que se acredita! Professores, nos aguardem!!!





 Equipe Mente Aberta Educação:
Zeca Fuscella, Alex Terzi, eu e Daniela Oliveira




6 de dez de 2016

Documentário sobre a história da aids, "35/20: do Pânico à esperança"

Como vivem hoje os soropositivos, 35 anos depois dos primeiros registros dos casos de aids? Como estão essas pessoas que tomam o coquetel há 20 anos? Como foi viver com o HIV no começo da epidemia e como é viver agora? Como os jovens estão lidando com essa realidade?


Eu sendo entrevistada por Dario Menezes

De tudo isso fala o documentário: “35/20: Do Pânico à Esperança”, do autor e diretor Dario Menezes, da Globonews. Ele refaz a história da epidemia a partir de depoimentos de pessoas que vivem com a doença no Brasil. É possível conhecer detalhes da vida de personagens que se infectaram nos primeiros anos da epidemia e também dos que souberam do diagnóstico recentemente.


Valéria vivendo com hiv há 30 anos, tomando coquetel há 20

O autor teve o cuidado de selecionar diferentes personagens e histórias. Há o meu caso, que me infectei na adolescência e de Cazu Barros, que também convive com o vírus a quase 30 anos. O depoimento de Ruggery Gutto que é das forças armadas e Gabriel Comicholi, jovem que depois de se descobrir com hiv resolveu criar o  canal HDiário, do Youtube onde conta sua experiência . 




Gabriel, youtuber que conta sua experiência
 no HDiário
Ruggery, das forças armadas


Há ainda uma mãe que fala da dificuldade que viveu ao descobrir que seu filho se  infectou  pela amamentação. E os garotos da Fundação Poder Jovem contaram como é nascer com o vírus e enfrentar a rebeldia nesta fase da vida.


Vale à pena assistir!!

Para assistir ao documentário acesse o link:

 “35/20: Do Pânico a Esperança”

A senha é:  aids



26 de fev de 2016

Valéria Polizzi ainda está viva? Viva e meditando!



Eu, Rê, Pri, Dé, minhas amigas da escola e a filhinha da Dé (dez 2015)

Vira e mexe as pessoas me procuram com essa pergunta: "Se ainda estou viva"
Sim! Vivinha da Silva. Trilhando meus caminhos por esse planeta, acabo de fazer 45 anos (com hiv há 29). Tomando o coquetel diariamente, fazendo exercícios físicos, me cuidando. Algumas coisas mudaram: Me separei, minhas duas avós morreram. (E eu que achava que ia morrer antes que todo mundo...) Estou podendo acompanhar o envelhecimento dos meus pais e agora é minha vez de cuidar deles, quem diria! Estou vendo o crescimento dos sobrinhos! E, acreditem, meus amigos continuam os mesmos.


Tia Mõnica, eu, minha mãe, tia Dete e minha avó Ana Maria (Corumbá, nov 2014)




Meu pai, e meus sobrinhos, Helena e Nivio (SP, dez 2014)


Estou numa fase zen, em que amo minha companhia. Me levo no parque para caminhar com meus cachorros, curto meus amigos e família, e a meditação ocupa uma espaço cada vez maior na minha existência. Tantos são os benefícios que essa prática me traz, que resolvi dividi-la com mais gente.





Eu, Tulipa e Mozart no Parque da Granja Julieta (SP, março 2014)


Meu caminho na meditação


A meditação apareceu bem cedo na minha vida. Quando criança estudei em uma escola Montessori onde éramos apresentados a práticas meditativas. Já no jardim da infância sentávamos em círculos, fechávamos os olhos e aprendíamos a ficar em contato com nós mesmos.

Na adolescência fiz meu primeiro curso de meditação e isso me ajudou muito quando descobri, aos 18 anos, que eu era HIV-positivo. Nessa fase turbulenta, quando a aids ainda era sinônimo de morte, o preconceito enorme e as propagandas da televisão só reforçavam tudo isso. Poder entrar num estado adverso de consciência e meditar acessando um oásis dentro de mim mesma, foi minha tábua de salvação.

Em 1999 fiz uma viagem de três meses pela Índia e Sri Lanka com meu ex-marido. E passamos um mês em um Ashram na cidade de Puttaparthi no sul da Índia.
 

Eu e meu ex-marido na India (dez 1999)





Templo indiano em Mahabalipuram (jan 2000)



Em  2009 eu descobri no Brasil a Fundação Arte de Viver do indiano Sri Sri Ravi Shankar e desde então venho fazendo cursos de respiração, meditação e ioga. Lá, eu também já participei de cinco retiros em silêncio de 4 a 5 dias cada. É incrível como essas práticas melhoraram minha qualidade de vida e meu bem estar.



Hotel Enseada do Caieiros- Bahia- Curso do Silencio Arte de Viver (Maio 2015)




Salão do Hotel - Curso Arte de Viver- Bahia. Muita ioga, respiração e meditação.


Em setembro de 2014 devido a uma recaída em depressão minha psiquiatra me indicou a Terapia Cognitiva Mindfulness e estive em atendimento com uma psicóloga dessa formação por 8 meses. Foi então que descobri que a meditação vinha sendo estudada e aplicada na medicina e psicologia de uma forma laica há anos nos Estados Unidos.

Desde 1979, o professor de medicina da Universidade de Massachusetts, Jon Kabat-Zinn, baseando-se em técnicas milenares de meditação, havia criado o MBSR – Programa de Redução de Estresse Baseado em Mindfulness.  O termo, que significa Atenção Plena, em português, oferece um treinamento da atenção e do equilíbrio emocional, por meio de técnicas de exercícios meditativos e psicoeducativos de fácil aplicação no dia-a-dia  que levam à redução do estresse e afetam positivamente os padrões cerebrais responsáveis pela ansiedade. Esse programa se mostrou muito eficaz em pacientes com doenças crônicas e com problemas psicológicos.

Na década de 1990 os psicólogos, Mark Williams, John Teasdale e Zindel Segal, estudando maneiras de prevenir recaídas em depressão criaram o MBCT – Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness, cujo grande estudo se mostrou eficaz na redução em 50% de recaídas em pacientes que já tiveram dois ou mais episódios de depressão. 




Centro Mente Aberta - UNIFESP- Campus Sto Amaro. (maio 2015)  


Encantada com todos os benefícios dessa prática em mim mesma, resolvi estudar para me tornar uma instrutora. E em  fevereiro de 2015 comecei o curso profissionalizante de Mindfulness do Centro Mente Aberta da UNIFESP. Ligado à faculdade Paulista de Medicina é um programa de extensão, ensino e pesquisa que tem por objetivo levar o Mindfulness para as pessoas da comunidade em geral, oferecendo cursos gratuitos.

Na UNIFESP também fiz dois cursos de 8 semanas MBSR – Programa de Redução de Estresse Baseado em Mindfulness - E um curso de 8 semanas MBTC – Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness. Atualmente sou uma instrutora em treinamento e em breve darei meu primeiro curso.

Devido à minha experiência com adolescentes em escolas nas palestras que ministro desde 1997, por causa do meu livro Depois daquela Viagem, decidi estender minha formação para ser instrutora da Atenção Plena para crianças e adolescentes. E começo essa semana na Mindful Schools, o curso online Mindful Educator Essentials, que me capacitará a dar aulas para essas faixas etárias em escolas.


A prática de meditação nas escolas


O Mindfulness nas escolas já está bastante difundido nos Estados Unidos e Europa. É impressionante os benefícios que podem trazer às crianças e adolescentes. Três filmes, disponibilizados no site da Mindful Schools mostram muito bem isso:

O “Just breath” (4min)  traz depoimento de crianças pequenas relatando como aprenderam a lidar com suas emoções de uma maneira mais saudável por meio do Mindfulness. O “Healthy Habits of Mind” (45min) é um filme que descreve o trabalho em sala da aula no jardim da infância. Nele, especialistas falam sobre a neurociência e a formação dos educadores e podemos observar a beleza dos pequeninos praticando a atenção plena na respiração, no ouvir, no sentir, no comer e no movimento.

Já o documentário “Room to Breathe” explora as transformações pessoais que acontecem com alunos adolescentes, suas famílias e educadores quando o Mindfulness é introduzido em um ambiente desafiador de uma escola pública dos EUA. Vele à pena assisti-los.

E quem sabe em breve estarei levando esse conhecimento às escolas!