16 de mai. de 2011

A melhor festa do mundo

 
Chego em casa, mas antes mesmo de abrir a porta ouço ele fungar, sentindo meu cheiro. A comemoração começa, ele late, abana o rabo, pula, uiva! É a festa de boas vindas do meu filho. Não importa se eu passei três meses fora, ou se só fui bem ali comprar pão, o amor animal incondicional é o mesmo. Me faz sentir a pessoa mais importante do mundo. 

Mozart, da raça Havanês, é austríaco. Recebeu esse nome, pois no primeiro dia quando o trouxemos para casa e o colocamos no chão, travou. Assustei, nem parecia aquele filhote com jeito de ursinho polar, que entre todos os outros foi o que primeiro correu pra mim. Amor a primeira lambida. Agora estava ali, em pânico, sem se mexer. Jogamos bolinha, fizemos festinha e nada.  Só quando o Markus assobiou uma melodia, ele resolveu se mexer.  “É um verdadeiro austríaco, gosta de música, tem que se chamar Mozart”, declarou o pai.

Durante esses dez anos, mas do que companheiro fiel é o melhor filho que eu poderia ter tido. Ainda na Áustria, era o único que me tirava de casa para passear na neve, com frio abaixo de zero. Anos mais tarde, me tirava da cama, quando eu não tinha vontade de levantar. E ainda hoje me tira do sofá quando decide que é hora de brincar. E agora, que virou brasileiro, me tira do sério, na hora do almoço pedindo comida na mesa.

Quando veio ao Brasil, se comportou muito bem em sua sacolinha, aos nossos pés, no avião. Até que resolvi ir ao banheiro e uma senhora me cutucou. “Moça, a cachórrinha fugiu.” Olhei para trás e lá vinha a peste andando no corredor em meio às poltronas, atrás de mim. E atrás dele o comissário com uma descompostura, “Esse cão tem que ficar preso!”

No país tropical Mozart se realizou, tomou banho de mar, se esbaldou de brincar com seus parentes cachorros e foi totalmente estragado pelo avô. Meu lorde austríaco, trilíngue, que frequentou escola, que atendia prontamente aos comandos, sitz, platz und shut up! (senta, deita em alemão e fica quieto em inglês) e mais o “dá a patinha” em português; que na Europa ia a restaurantes e ficava comportadíssimo sentado em baixo da mesa e passeava comigo em shoppings Centers, agora no Brasil é um perfeito cachorro da família Polizzi. (Lembram do Felipe?)

Com o avô aprendeu a pedir comida na mesa, dormir na cama e latir sem parar mostrando a gaveta onde ficam seus bifinhos até que ganhe um. Na rua enfrenta qualquer pitbull. Vai puxando a gente, mostrando o caminho que quer. E se vou pro outro lado, ele empaca e me olha brabo. “Que olhar mais humano ele tem”, comentou um amigo.

Agora que voltei a passar longos períodos na Áustria, não tenho coragem de tirá-lo de seu novo lar, de sua esposinha brasileira, a Tulipa, do aconchego da bivó, e dos paparicos do avô. “Acho que eles querem dar uma volta de carro,” anuncia o nono.  “Mozi, Tulipa, passear!”. E mais uma festa de arromba começa. Vida com cão é outra coisa.

E chegou o bebê do vovô, Tulipa
Ela me ama, socorro!