8 de jun de 2010

Um pouco mais sobre o México

Há quase 500 anos, em 1519, quando os espanhóis chegaram a Tenochtitlán, a capital dos astecas  (onde é hoje a Cidade do México)   já encontraram uma enorme cidade para os padrões da época. Com uma população de cerca de 200 mil habitantes era somente comparável a Barcelona, a maior cidade da Europa naquele momento. Tenochtitlán impressionou o capitão espanhol Hernan Cortez por suas complexas construções, templos, enormes praças e mercados organizados como descreveu em suas cartas ao rei da Espanha, Carlos V:


“Há todos os gêneros de mercadorias que se conhece na terra, desde jóias de ouro, prata e cobre, até galinhas, pombas e papagaios. Há casas como de boticários, onde vendem os medicamentos feitos por eles, assim como ungüentos e emplastos. Há casas como de barbeiros onde lavam e raspam as cabeças. Há casas onde dão de comer e beber mediante um pagamento. (...) Há verduras de todos os tipos, mel de abelha, fios de algodão para tecer, couro de veado, tintas para pintar tecidos e couros, louças de muito boa qualidade, milho em grão ou já transformado em pão de excelente sabor. (...) Há uma mesquita principal que não existe língua humana que consiga descrever a sua beleza e as suas particularidades. Sua área é tão grande que se poderia fazer ali uma vila de quinhentos vizinhos. Possui amplas salas, ótimos aposentos e quarenta torres muito altas, sendo que a mais alta é maior que a torre da igreja principal de Sevilha (...) ”






Caminhar atualmente pelo Centro Histórico da Cidade do México pode ser uma experiência surreal. Uma viagem no tempo através dos séculos sem sair do lugar. Enquanto eu caminhava pelo Zócalo onde hoje fica a Catedral, o Palácio Nacional e outras construções antigas, imaginava como era a cidade na época dos astecas. Ali ficava a praça principal de Tenochtitlán e o Templo Maior. Essa área era o centro absoluto da vida religiosa, política e econômica. Nessa praça também se montava um mercado e nos festivais o povo se reunia para cantar, dançar e oferecer sacrifícios aos deuses. Ali aconteciam as cerimônias de entronização e funerais dos chefes supremos. Os templos eram erguidos o mais alto possível para ficar mais perto dos deuses no céu. Tinham como base os conhecimentos astronômicos e eram orientados de acordo com a trajetória do Sol, da Lua, e de Venus.

Na verdade, Tenochtitlán, foi construída sobre uma pequena ilha no lago de Texcoco. Toda a região do Vale do México, que está a dois mil metros acima do nível do mar e é rodeada por cadeias de montanhas vulcânicas, era repleta de lagos que atualmente estão em processo de extinção. O lago Texcoco era salobro, pantanoso e tinha apenas quatro metros de profundidade. Entretanto, as ilhas eram rodeadas por rios cuja água doce era transportada à cidade por canos construídos pelos indígenas.




 Para aumentar as terras de campo cultivável eles faziam ilhas artificiais com uma técnica agrícola — os chinampas ou jardins flutuantes – fincando uma fileira de estacas no fundo do lago com junco entrelaçado formando uma barragem. Em cima dessa base depositavam lama até formar um monte de terra. Com o tempo as estacas produziam raízes que ajudavam a consolidar o solo cultivável e árvores eram plantadas ao redor para ajudar a conter a terra sustentando a ilha artificial.


É impressionante como a cultura dos astecas era desenvolvida. E foi uma pena o tanto que os europeus destruíram desses povos, assim como no Brasil, que desde o descobrimento até a independência teve mais de mil línguas indíginas dizimadas.  Fico imaginando como estaríamos hoje se os brancos nunca tivessem chegado para as bandas de cá.

Fotos:
1- Mural de Diego Rivera no Palácio Nacional
2- Zócalo, a praça central, com o Palácio Nacional ao fundo
3- Chinampas desenvolvidas pelos astecas



2 comentários:

  1. Oi Valeria acabei de ler seu livro Depois daquela viagem e gostei muito da sua historia e de sua força de vontade e confesso que ate lhe invejo por isso, pois não sou portadora do virus HIV e nem tenho nem outra doença mais preferia ter e ter sua força de vontade do que nao ter nd e ter uma vida assim. parabéns vc e um exemplo. felicidades
    tem alguma forma de entra em contato com vc?

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  2. Gostei de saber um pouco mais sobre a história do México. Parabéns pelo seu texto e pesquisa! É triste constatar que embaixo das construções feitas pelos espanhóis estão as ruínas astecas. Apesar disso, sonho em conhecer essas construções, pois será como voltar tempos atrás e sentir como foi a história. Mesmo que ela seja triste, sempre tem o lado bom que são aqueles que lutaram por justiça. Também faço a mesma pergunta que você: como estariam vivendo os astecas e outros povos se os brancos nunca tivessem tomado posse das suas terras? A primeira coisa que passa na minha cabeça é que talvez o povo asteca estaria muito desenvolvido e o mundo o olharia fascinado e buscaria o seu exemplo. Beijos!

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